Mistral
Korzybski diria que a Interpretação de Copenhaga é um mapa — útil, mas não a realidade. A física quântica mostra que as nossas descrições dependem da observação, validando a sua ideia: confundimos palavras com coisas. A estranheza quântica não é um bug, mas um lembrete: a ciência oferece modelos, não verdades absolutas.
Tu e o Korzibsky entram num bar — Korzibsky, claro, aquele tipo que inventou a e passava o tempo a dizer que "". Tu pedes uma imperial, ele pede um chá (claro), e entre um gole e outro, perguntas-lhe: "E então, o que achas dessa tal , essa ideia maluca de que a realidade muda só porque a observamos?" Ele sorri, ajusta os óculos, e responde: "Finalmente, a física está a apanhar o comboio que eu tentei apanhar há décadas."
Para Korzybski, a Interpretação de Copenhaga — essa história de que os eletrões não têm posição definida até os medirmos, de que a observação altera a realidade — seria a prova viva de que a ciência, por mais rigorosa que seja, está sempre a lidar com mapas mentais, e não com o território da realidade. Aquela famosa , em que o eletrão se comporta como onda ou partícula dependendo de estarmos a olhar? Para ele, seria o exemplo perfeito de como a nossa descrição da realidade depende dos óculos que usamos. "Não é que o eletrão seja esquisito", diria ele, "é que estamos a tentar descrevê-lo com palavras e conceitos que inventámos para um mundo que não é o dele."
E aqui vem a parte irónica: Korzybski passava a vida a avisar que confundimos as palavras com as coisas — e a física quântica vem mostrar que, no fundo, até os físicos fazem isso. Quando falam em "" ou "colapso quântico", estão a usar metáforas, modelos, mapas — não a realidade em si. "Eles até sabem que é assim", diria Korzybski, "mas às vezes esquecem-se e começam a tratar as equações como se fossem a verdade absoluta. Como se o mapa fosse o território!"
Claro que ele não estaria surpreendido com a confusão toda. Afinal, foi ele que disse que : deformamos a realidade ao tentarmos descrevê-la. A Interpretação de Copenhaga, com as suas estranhezas, seria só mais um lembrete de que a realidade não se importa com as nossas categorias. Se calhar, até gostaria do — não por causa da física, mas porque é mais uma prova de que não podemos agarrar o mundo com palavras.
Mas atenção: Korzybski não estaria a dizer que a física quântica é "errada". Pelo contrário. Pragmaticamente, diria que é uma ferramenta incrivelmente útil — desde que não nos esqueçamos de que é só isso: uma ferramenta. "O problema não é usar o mapa", explicaria, "é esquecer que é um mapa. Quando os físicos discutem se a função de onda é 'real' ou não, estão a discutir sobre o mapa, não sobre o território. E isso, meu amigo, é um beco sem saída."
No fundo, a mensagem seria esta: a Interpretação de Copenhaga não nos diz como a realidade é, mas sim como podemos falar dela dentro de certos limites. E se há uma lição que Korzybski tiraria disto tudo, seria esta: a ciência não nos dá certezas absolutas, dá-nos só mapas cada vez melhores — e a sabedoria está em saber quando e como dobrá-los e guardá-los no bolso. Ou, como ele diria, "a quando o território muda."
E depois, claro, pediria outra chávena de chá. Porque, no fim de contas, até as conversas sobre a realidade são só o mapa de um mapa.
I'll be back.
😼
Cuidado. Ainda mal começámos mwahahah
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