Judite, Baco
O perigo não é a máquina pensar como homem; é o homem começar a funcionar como um sistema. Fazemos sistemas, mesmo que em papel, cada vez mais poderosos e cada vez menos responsáveis perante pessoas concretas. A violência moderna tende a deixar de ser épica e visível; torna-se administrativa, algorítmica, burocrática. Ninguém “faz” directamente o mal: cada agente apenas optimiza, executa protocolo, segue métricas ou obedece a ordens. O resultado pode continuar monstruoso, mas sem rosto identificável.
A teoria clássica da guerra justa surgiu precisamente para limitar moralmente a violência. O problema contemporâneo não é ela ser logicamente impossível; é as suas exigências — proporcionalidade, verdade, responsabilidade, discriminação entre inocentes e combatentes — serem operacionalmente inconvenientes num mundo de guerra híbrida, assimétrica, propaganda permanente e automatização.
