segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

A realidade é um mapa amarrotado

 Mistral

Korzybski diria que a Interpretação de Copenhaga é um mapa — útil, mas não a realidade. A física quântica mostra que as nossas descrições dependem da observação, validando a sua ideia: confundimos palavras com coisas. A estranheza quântica não é um bug, mas um lembrete: a ciência oferece modelos, não verdades absolutas.


Tu e o Korzibsky entram num bar — Korzibsky, claro, aquele tipo que inventou a e passava o tempo a dizer que "". Tu pedes uma imperial, ele pede um chá (claro), e entre um gole e outro, perguntas-lhe: "E então, o que achas dessa tal , essa ideia maluca de que a realidade muda só porque a observamos?" Ele sorri, ajusta os óculos, e responde: "Finalmente, a física está a apanhar o comboio que eu tentei apanhar há décadas."

domingo, 28 de dezembro de 2025

O pisco, a nomenclatura e a meia-queca

Judite


Resumo

A partir do pisco, examinamos a diferença entre reconhecimento perceptivo e nomeação linguística. A comparação entre português, francês e alemão revela atitudes culturais distintas face à precisão. A “meia-queca” portuguesa surge como indefinição operativa: suficiente para funcionar, deliberadamente aberta, raramente conclusiva.

O pisco apresenta-se antes de ser concebido. Surge num muro, num tronco baixo, fixa quem observa com um olhar frontal e a identificação faz-se sem esforço. Não há enumeração de caracteres nem cálculo comparativo. Há reconhecimento. A mancha laranja destaca-se como sinal unitário, não como soma de partes anatómicas. O olho apreende um todo coerente e suficiente para a decisão: é isto e não outra coisa.

Só depois entra a linguagem. E quando entra, já vem atrasada. Tenta recortar, delimitar, explicar o que o sistema perceptivo já resolveu de forma pré-analítica. É neste desfasamento que nasce o problema: não na ave, não no olhar, mas no acto de nomear.