sábado, 27 de dezembro de 2025

Uma visita

(Judite)

Resumo
Uma jovem chamada Maria é surpreendida pela visita de um mensageiro de Deus, que lhe anuncia que será mãe de Jesus, o Filho de Deus. Maria escuta, questiona com lucidez e compreende que lhe é pedido um consentimento livre. Sem compreender tudo, aceita confiar. A história centra-se no diálogo, na liberdade e no “sim” que dá início à Encarnação.



Maria estava em casa, ocupada em tarefas simples. O dia decorria como tantos outros. Nada fazia prever qualquer acontecimento fora do comum.

De repente, percebeu uma presença. Não foi um ruído nem um clarão, mas a certeza clara de que alguém estava ali. Parou. Sentiu o coração acelerar. Era um sobressalto sério, profundo.

Uma voz falou: “Salve, cheia de graça. O Senhor está contigo.”

Maria ficou perturbada. Aquela saudação não era habitual. As palavras não combinavam com a sua vida discreta em Nazaré. Pensou nelas em silêncio, tentando compreender o que poderiam significar.

A voz voltou a falar: “Não temas, Maria. Encontraste graça diante de Deus.”

O seu nome, dito com firmeza, confirmou-lhe que aquilo era real. Escutou atentamente.

“Irás conceber e dar à luz um filho. Dar-lhe-ás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus dar-lhe-á o trono de David, seu pai, e o seu reino não terá fim.”

Maria ouviu tudo com atenção. Conhecia as promessas feitas ao povo de Israel. Sabia o que significavam palavras como rei, trono e reino. Mas nunca pensara que essas promessas pudessem passar por ela.

Havia, contudo, uma pergunta que não podia ser evitada. Não era desconfiança nem recusa; era simplesmente verdade.

“Como será isso, se não conheço homem?”

A resposta veio sem dureza, com clareza: “O Espírito Santo virá sobre ti, e a força do Altíssimo cobrir-te-á com a sua sombra. Por isso, o que vai nascer será santo e chamar-se-á Filho de Deus. E sabe que Isabel, tua parenta, concebeu também um filho na velhice; já vai no sexto mês aquela a quem chamavam estéril. A Deus nada é impossível.”

Maria permaneceu em silêncio.

Nem tudo estava explicado. Muito permanecia misterioso. Mas algo essencial estava claro: Deus pedia, não impunha. A decisão era dela. Podia dizer não. Nada a obrigava.

Pensou na sua vida simples, nos planos que tinha feito, nas dificuldades que viriam se aceitasse. Pensou também em Deus, que sempre conduzira o seu povo por caminhos inesperados. Se Ele pedia agora, assumia o que isso significava.

Respirou fundo. A resposta foi simples, sem adornos, definitiva: “Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.”

Não houve sinais visíveis nem palavras a mais. O mensageiro partiu. A casa voltou ao silêncio.

Maria ficou sozinha. Por fora, tudo parecia igual. Por dentro, tudo tinha mudado. Havia agora um caminho a seguir, dia após dia, sem saber tudo de antemão, mas com confiança.

Deus tinha falado. Ela tinha respondido.

E assim começou.

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